Brincar é coisa séria: menos telas, mais conexões reais

Por ONG ETAPAS | Postado em , atualizado em: 03/04/2025, 17:30


Através do projeto em parceria com o Conselho Municipal de Defesa e Promoção dos Direitos de Crianças e Adolescentes (COMDICA), a Etapas promove o Mês dos Brinquedos e Brincadeiras com crianças de primeira infância

Crianças aprendem, se desenvolvem e se divertem com as brincadeiras coletivas (Foto: Comunicação Etapas)

Por Juliana Ribeiro (Etapas)

A brincadeira é uma das principais atividades na primeira infância. É brincando que a criança desenvolve habilidades corporais, imaginação, criatividade, cognição, aprende o uso da linguagem, desvenda sensações e sentimentos.

De 45 nações, o Brasil é o segundo país com mais pessoas em frente a uma tela, segundo pesquisa Digital 2023:Global Overview Report – da DataReportal

“É importante reconhecer que educar um ser humano exige disponibilidade e disposição”, esta afirmação da psicóloga Mariana Albuquerque reafirma o compromisso da Etapas de trabalhar com a primeira infância: Brincar é coisa séria. É direito fundamental!

Entre os meses de março e abril, a Etapas está promovendo o Mês dos Brinquedos e Brincadeiras, com crianças de 4 a 6 anos do projeto “Crianças Protegidas, Direitos Garantidos: um olhar para primeira infância” (Etapas/Comdica), visando estimular a brincadeira coletiva para fortalecer habilidades corporais, de comunicação, socialização, autonomia e criatividade. Estão sendo realizadas atividades de bambolê, pintura, confecção de brinquedos recicláveis, futebol, dança das cadeiras, construção de cidade de Lego.

Para a assistente social e educadora do projeto Dennise Ernesto, a iniciativa reforça o brincar como um direito fundamental da infância. “Percebo que por meio das brincadeiras coletivas, elas aprendem a conviver em grupo, a respeitar regras e a trabalhar em equipe, o que contribui para a formação cognitiva e emocional de uma pessoa”, reflete.

Segundo a psicóloga Mariana Albuquerque, a brincadeira coletiva pode desenvolver o aprendizado da criança em como lidar com suas vontades e limites considerando as vontade e limites das outras crianças. Desenvolve valores como a solidariedade e empatia.

“Quando se troca as interações sociais que fomentam esse desenvolvimento pela exposição a telas, onde geralmente a relação é unilateral, pode prejudicar o desenvolvimento neuromotor da criança, a aprendizagem e a própria constituição psíquica de si”, reflete Mariana.

Comportamentos que sinalizam que a exposição pode estar exacerbada às telas:

Mudanças na socialização:

  • isolamento, baixa tolerância à frustração, agressividade
  • alterações no sono, na alimentação
  • comportamentos compulsivos, impulsivos
  • sedentarismo
Famílias das crianças atendidas pelo projeto refletem sobre a importância da brincadeira com a psicóloga Mariana Albuquerque (Foto: Arquivo Etapas)

A partir dos encontros com as famílias que têm os filhos e netos assistidos pelo projeto (Etapas/Comdica), foi percebido a importância de construir e fortalecer momentos de proximidade com as crianças através de atividades que já são presentes no cotidiano da família.

Dicas pensadas no grupo para diminuir o uso de telas dentro de casa:

Incluir as crianças nas atividades de casa de maneira lúdica

  • Brincar de arrumar a casa/ o quarto através de uma contação de história
  • Incluir a criança no preparo dos alimentos e das refeições (dentro da capacidade de cada idade)
  • Brincar de escolinha durante a realização da lição de casa.

Construção de novos hábitos familiares, como ensinar brincadeiras de sua época

  • Amarelinha, dobradura de papel;
  • Músicas e histórias;
  • Caça ao tesouro sensorial: buscar um objeto pelo barulho com os olhos vendados;
  • Brincadeiras de mímica: que estimulam a memória e a criatividade;
  • Utilizar a arte como forma de diversão e aprendizado.

Segundo Mariana, é importante compreender o que a criança se interessa em fazer para iniciar a construção desses novos hábitos. Pode incluir algum aparelho eletrônico nesse momento de adaptação:

  • Uma competição de dança entre os familiares diante do youtube
  • Jogos que possam ser jogados em família

O projeto “Crianças Protegidas, Direitos Garantidos: um olhar para primeira infância”(Etapas/Comdica), completou nove meses de atividades diárias (segunda a quinta-feira),com 20 crianças da comunidade de Três Carneiros (Ibura), visando promover conhecimento e vínculos afetivos para fortalecer ambientes seguros e protegidos.

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